A Reforma Tributária não vai mudar apenas os impostos. Ela vai mudar a forma de administrar empresas.
Quando o assunto é Reforma Tributária, a primeira pergunta que normalmente surge é: vou pagar mais ou menos imposto?
Por Alexandre Pelentir, sócio da Valcacio Company
7/14/20262 min read


Essa dúvida faz sentido. Afinal, durante anos, empresários acompanharam mudanças na legislação tributária sempre preocupados com o impacto direto no caixa da empresa. Mas, desta vez, a discussão vai muito além das alíquotas.
A criação do IBS e da CBS representa uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas. E o maior impacto não será apenas a substituição do ICMS, ISS, PIS e Cofins. O verdadeiro desafio será adaptar a empresa a uma nova forma de administrar a tributação.
Durante muito tempo, a gestão tributária ficou concentrada na contabilidade. A empresa faturava, os tributos eram apurados e as obrigações eram cumpridas. Esse modelo funcionou por muitos anos, mas a Reforma Tributária exige uma postura diferente.
Hoje, o empresário precisará olhar com mais atenção para a própria operação. A forma como negocia com fornecedores, organiza seus processos internos, emite documentos fiscais e administra seus contratos passa a influenciar diretamente a eficiência tributária da empresa.
Na prática, o tributário deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a integrar a estratégia do negócio.
Outro ponto que merece atenção é que nem todas as empresas sentirão os mesmos impactos.
É comum ouvir afirmações de que a Reforma Tributária aumentará ou reduzirá a carga tributária de forma geral. A realidade é diferente. Empresas do mesmo segmento podem ter resultados completamente distintos, dependendo da sua estrutura operacional, do regime tributário adotado e da forma como administram suas atividades.
Por isso, analisar apenas a futura alíquota do IBS e da CBS pode levar o empresário a conclusões equivocadas. O verdadeiro impacto estará na capacidade da empresa de se adaptar ao novo modelo.
É justamente nesse momento que o planejamento faz toda a diferença.
Revisar contratos, avaliar fornecedores, analisar processos internos e entender como a tributação influencia o fluxo de caixa deixam de ser medidas opcionais. Passam a ser decisões estratégicas para manter a competitividade e evitar perdas financeiras desnecessárias.
A Reforma Tributária também reforça uma mudança importante de mentalidade. Durante muito tempo, o tributário foi tratado apenas como um centro de custos. Agora, ele passa a fazer parte da gestão empresarial.
Empresas que iniciarem essa preparação desde já terão mais tempo para ajustar seus processos, reduzir riscos e tomar decisões com maior segurança. Por outro lado, aquelas que deixarem essa adaptação para os últimos anos da transição poderão enfrentar dificuldades que poderiam ter sido evitadas com planejamento.
A Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025 inauguram um novo capítulo da tributação sobre o consumo no Brasil. Mais do que compreender as novas regras, será fundamental entender como elas impactam a realidade de cada empresa.
No final, talvez a principal mudança da Reforma Tributária não esteja no IBS ou na CBS.
Ela está na forma como o empresário passará a enxergar a gestão do seu próprio negócio.
A pergunta deixa de ser apenas "quanto vou pagar de imposto?" e passa a ser "minha empresa está preparada para essa nova realidade?"
Porque, no cenário que começa a ser construído, quem transformar a gestão tributária em estratégia terá muito mais condições de crescer com segurança e competitividade.
Referência: Emenda Constitucional nº 132/2023. Lei Complementar nº 214/2025.


